Código de defesa do Consumidor Negro

CONSUMO, CONSCIÊNCIA E O FUTURO QUE AS MARCAS PRECISAM CONSTRUIR

O Brasil está diante de uma mudança irreversível.

O “Código de Defesa do Consumidor Negro”, idealizado pelo grupo L’Oréal em parceria com a Associação Mover, não inaugura um tema — ele torna visível uma realidade histórica que, por muito tempo, foi naturalizada: o racismo também estrutura as relações de consumo.

Consumir, no Brasil, nunca foi uma experiência neutra.

Para milhões de pessoas negras, ainda hoje, significa atravessar olhares de suspeita, enfrentar a ausência de representatividade e lidar com barreiras invisíveis que limitam o acesso, a permanência e o sentimento de pertencimento. Nesse cenário, diversidade deixa de ser um discurso institucional — e se consolida como uma agenda estratégica, diretamente conectada à responsabilidade, à relevância e ao futuro do mercado.

Nos últimos cinco anos, a FBL Criação e Produção têm se aprofundado nesse território, revelando que as desigualdades que hoje se expressam no consumo não são pontuais — são estruturais. São heranças diretas de um sistema que historicamente excluiu corpos negros dos espaços de poder, decisão e protagonismo.

É nesse contexto que surge a série Sankofa

Ao percorrer o Brasil em busca dos lugares de memória da escravidão e da resistência negra, a série Sankofa não apenas conta histórias — ela reposiciona narrativas.

Para as marcas, essa não é apenas uma reflexão social. É uma oportunidade estratégica — e, sobretudo, uma escolha de posicionamento.

Empresas que compreendem esse contexto deixam de apenas comunicar diversidade e passam a integrá-la de forma estrutural — criando produtos, campanhas e experiências que reconhecem o consumidor negro como central, e não periférico.

O “Código de Defesa do Consumidor Negro” representa um avanço concreto nessa direção. Mais do que um marco, é um convite para que as empresas participem ativamente da construção de um novo imaginário coletivo — no qual o consumo deixa de reproduzir desigualdades e passa a contribuir para repará-las.

Porque o futuro das marcas não será definido apenas pelo que vendem, mas pelo que representam.

E as marcas que liderarão esse futuro serão aquelas capazes de olhar para trás, compreender profundamente o presente — e agir para transformar o amanhã.

Como nos ensina o símbolo Adinkra Sankofa: é preciso voltar para ressignificar — e, assim, construir um novo futuro.

Parabéns às marcas Alpargatas, Americanas, Carrefour e Sephora por aderirem a essa iniciativa. Que esse movimento inspire muitas outras empresas a seguirem o mesmo caminho.