Lei Rouanet

LEI ROUANET 2025: OS NÚMEROS QUE MOSTRAM A FORÇA DA ECONOMIA DA CULTURA

Quem trabalha com cultura sabe que os números contam apenas parte da história. Por trás de cada projeto aprovado, de cada filme produzido, de cada exposição realizada ou espetáculo apresentado, existe uma cadeia produtiva complexa que movimenta profissionais, empresas e territórios inteiros.

Os dados da Lei Rouanet em 2025 mostram um cenário robusto e ajudam a dimensionar essa força. Foram R$ 3,38 bilhões captados, crescimento de 12,7% em relação a 2024, com a participação de 5.253 grupos empresariais patrocinadores, que ajudaram a viabilizar 6.391 projetos culturais em todo o país. Por trás desses números existe algo que muitas vezes fica invisível.

Quando um projeto cultural acontece, não é apenas um espetáculo, uma exposição ou um filme que nasce. Empregos são gerados. Empresas são contratadas. Economias locais são movimentadas. Histórias são preservadas. Identidades são fortalecidas.

E isso tem um valor que vai muito além da renúncia fiscal.

Os números também mostram um desafio que ainda precisa ser enfrentado. O Sudeste continua concentrando a maior parte dos recursos, representando 77,1% da origem dos aportes e 72,2% do destino dos investimentos.

Esse dado não enfraquece a importância da Lei Rouanet. Pelo contrário.

Ele reforça a necessidade de aperfeiçoar mecanismos que ampliem o acesso aos recursos em outras regiões, fortalecendo a diversidade cultural brasileira e democratizando oportunidades.

Outro aspecto que merece atenção é o protagonismo das empresas.

Petrobras, Vale, Itaú, Nubank e Banco do Brasil lideram os investimentos em 2025. Isso demonstra que grandes organizações já compreenderam algo fundamental: Quem investe em cultura investe no Brasil que queremos construir, participa da construção de imaginários, fortalece vínculos com a sociedade e contribui para o desenvolvimento do país.

Na indústria audiovisual, onde atuo há anos desenvolvendo, estruturando e viabilizando projetos, vejo diariamente o que os números não conseguem mostrar.

Antes de um filme estrear, de uma série chegar a uma plataforma ou de um documentário alcançar o público, existe um longo processo de pesquisa, desenvolvimento, captação, planejamento e execução. Existe uma cadeia formada por roteiristas, produtores, técnicos, artistas, fornecedores e empresas que dependem da existência desses projetos para trabalhar.

As leis de incentivo são parte fundamental desse processo. Elas não financiam apenas obras culturais. Ao longo da minha trajetória, vi projetos saírem do papel, alcançarem milhões de pessoas e deixarem um legado que vai muito além dos resultados financeiros.

Sem elas, muitas histórias simplesmente deixariam de existir.

E quando deixamos de contar nossas histórias, perdemos também parte da nossa capacidade de compreender quem somos. A cultura não é um gasto. Não é um favor. Não é apenas entretenimento.

A cultura é memória, identidade, pertencimento e desenvolvimento econômico.

A discussão sobre as leis de incentivo não deveria estar centrada apenas na renúncia fiscal.

A pergunta que precisamos fazer é: que país queremos construir e quais histórias queremos preservar, produzir e compartilhar?

Fortalecer as leis de incentivo é fortalecer essa capacidade de criar, produzir e compartilhar a diversidade cultural brasileira.

Porque cultura não é apenas o que um país produz.

É também a forma como ele se reconhece, se projeta e constrói o seu futuro.